quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Política, políticos e politicagem

“Políticos são todos iguais, são como lobos trajados de pastores”. Pensamentos como esses. Sátiras como a charge publicada no Blog do Jorge SóBesta e ao lado exposta, e ironias como no comentário do Thiago Barbosa à essa charge em meu blog, refletem o pensamento dos cidadãos brasileiros em geral.

Segundo Chauí, política “diz respeito a tudo que envolve relações de poder ou a tudo quanto envolva organização e administração de grupos. (CHAUÍ, 1995, p. 368)”.

Se eu tento convencer os meus colegas a participarem desse blog coletivo, estou praticando uma ação política. Fernando – editor desse blog – tem uma ação política ao exigir que os blogueiros responsáveis tenham sempre textos na data combinada.

Então, por que tanto negativismo no que tange o assunto política? Por que juramos de pés juntos que ACM arde nesse momento no mármore do inferno? Talvez a pergunta crucial seja: por que permitimos que pessoas de tão baixo calão assumam autoridade sobre nós e sobre nossos negócios?

Os políticos conseguiram alcançar um altíssimo índice de rejeição perante a opinião pública. Escândalos como a dos “Sanguessugas”, “Mensalões”, entre vários fizeram os brasileiros verem os políticos como indemoniados, se não o próprio demônio.

E a pergunta não quer calar: como eles conseguem também altos índices de votos?

A história pode explicar: vivemos períodos difíceis. Nas ditaduras os sonhos serviam como chicotes de torturas. As crianças foram tiradas dos livros e postas em frente à televisão. A diversão se tornou mais importante que a informação, e sem informação não há reflexão, sem reflexão sardinha vira caviar, votar uma árdua obrigação.

A TV, a serviço dos dominantes, criou um monstro chamado político. Não vire político, se não você se corrompe, diziam (ou dizem) eles. Os honestos se vêem desmotivados a mudar essa situação, e os que entram não criam expectação em seus eleitores, afinal, é mais uma a ser corrompido. “Entre manter um corrupto e fazer mais um corrupto, é melhor manter a carcaça que já está”, pensam muitos.

De quem é a culpa? Lembram da história bíblica que conta a história de Adão que desobedeceu a ordem de Deus e quando inquirido colocou a culpa na mulher, essa por sua vez detonou a serpente? A culpa era dos dois, Adão errou, Eva errou. Talvez, penso eu, se reconhecem a culpa não teria sidos expulsos do Jardim do Édem.

A culpa é de todos. Dos políticos que nada fazem pelo seu povo. E do povo que nada faz para por em ordem seus líderes.

Até lá, políticos como ACM farão sucesso no Planalto Federal e nas páginas dos jornais.

4 comentários:

Fernando Augusto disse...

É preciso mesmo o povo perder a fobia da política, voltar a participar ativamente do processo eleitoral e partidário, conhecendo a fundo o seu candidado e votando em quem mereça pelo o que irá fazer e não por saco de farinha. Como é de prache, quem vende o voto não tem direito de cobrar depois, afinal, vai querer receber duas vezes?

"Quem vende seu voto, quase sempre recebe mais do que vale"

Saulo Andrade disse...

João, seu texto esta bom.
Realmente, esta é a imagem que a população brasileira aprendeu inconscientemente. Definitivamente não são apenas os políticos quem fazem o país decolar, a população esquece que somos nós mesmos quem os colocam no poder, e principalmente que os mesmos estão lá para nos representar.
Aprendermos a votar com consciência de que estamos decidindo o futuro dos nossos herdeiros e principalmente irmos a urna com a consciência de exercer o voto com o poder de decisão sabia e definida do que é melhor para a nossa nação, seria uma forma de defender o que está sendo de uma pequena parte da população.
Culpar os políticos não está adiantando nada, só nos resta observarmos os comportamentos deles enquanto exercem o poder e nas próximas eleições concertarmos os erros deles, que não poderiam deixar de ser nosso, afinal, somos nós quem os colocam em Brasília.

Thiago Barbosa disse...

Dá-lhe Juanito, é isso aí, acredito que político não é nenhum monstro, é apenas um de nós que chegou ao poder, age como qualquer um de nós agiria!!! Não temos que mudar os politicos, temos de mudar nós mesmos!!!

Antônio Valadão disse...

Lembro-me de uma frase do Querido Arnaldo Jabor, que retrata o seguinte:

"No Brasil coisa séria é carnaval. carnaval é Política e política é Carnaval".

palmas para Áquila.